Um sonho de consumo

sem limite

para aqueles que

exilaram - se depois de causar

a morte de um inocente.

No último filme da trilogia

onde a moral da época e

a vontade de ter liberdade intelectual

assusta a juventude

o resultado são batalhas com

cenas vibrantes e muito sangue.

Youtube,blog,orkut,games,

saudades da era do atari.

Logo se dará um grito de independência

da influência negativa

numa essência espontânea.

Não haverá personagens muito definidos.

Ninguém é tão mau ou tão bonzinho.

O jogo é difícil e exige habilidade

de cada jogador.

A trilha é sempre um rock

que agrada aos aficionados por metaleiros.

Você se verá em confronto com

seu passado e com o futuro

e na certa esse último irá predominar.

O que não parecia possível

ganha força.

A sensação de impotência diante da vida

pode vir de uma atitude displicente.

Não assumirá o seu controle

com um só golpe.

E nunca se esqueça de lembrar

que um ninja

nunca morre.

De cara pro cara

De cara pintada

De boca rasgada

De rasgo no olho

De queixo caído

De calça rasgada

De corte profundo

Com fio de navalha

Do sangue pingando

Num copo de leite

Com pão e manteiga

Tomando um pingado

No bar da esquina

Cheirando faxina

Com produto barato

Usado em latrina

O cheiro se espalha

Odor e fedor

Na mesma narina

Não faz diferença

Sua velha aparência

Sem nenhuma decência

Total decadência

Na cara do cara

Sentado à mesa

De toalha vermelha

Com muita sujeira

Falando besteira

De cara amarrada

Era apenas o cara

De cara

Pro cara.

Quem canta

encanta

enquanto canta

canta.

Quem canta

enquanto

encanta

canta.

Quem encanta

enquanto canta

canta.

São  milhares  de gotas que molham nossos ideais.

Neste mundo de grito,de pavor,de rancor.

Fechando as portas do nada que nos levam para um sonho perdido.

São milhares de bocas que berram blasfêmias,

Milhares  de mãos fazendo gestos obscenos,

Onde tudo gera o mau,eu quero uma vida melhor para os meus filhos.

Eu fujo pela noite perdida,dos bandidos, dos ladrões, das prostitutas.

Corro os bares das avenidas desertas e não encontro resposta para a pergunta que ainda não consegui fazer.

Em cada esquina perdida há uma donzela, que fantasiada espera alguém  para se deitar.

Há um clima de pavor em cada rosto abatido dos traficantes, há tristeza no olhar da criança sem lar.

São milhares de gotas que molham os sonhos, mas mesmo assim eu ainda quero sonhar...

Sexta feira

Tem feira

Tem cesta

De feira

Na sexta

Na feira

De sexta

Feira.

       

            E  EU  SÓ NA PASSARELA  

 

A meus pés corria a vida.

Carros passavam apressados.

Motos... bicicletas...transeuntes...

     E eu  só na passarela.

Lá embaixo outro mundo.

Pessoas aflitas,nervosas,carentes.

Velhos,moços,crianças

                     Sem esperanças.

     E  eu só na passarela.

De repente tudo para.

Olhares perdidos apontam um só destino.

                  O Meu!

Já não estou mais só na passarela.

Um coro de anjos entoam uma canção.

Será que é para mim?

Olho para eles.Como são belos.Felizes.

As pessosa lá embaixo se empurram

Num conflito de vida ou morte.

Será que é por mim?

Olho para elas. Como são feias...tristes...infelizes.

Fico entre a vida e a morte.

A morte me fascina.

A vida me repele.

Olho os anjos...enxergo a Deus.

Olho os humanos...enxergo a mim.

Num dado momento solto meu corpo.

Sussuros...gritos...ecos...lágrimas.

Ao cair no chão meu sangue escorre.

Estou deformada.Um silêncio impera.

Solto minha alma.

Anjos e querubins elevam – me ao céu.

Meu semblante feliz é conduzido por um coral  de serafins.

Chego ao paraíso.

Lá embaixo chega o carro funeral.

Um cortejo triste me acompanha sem palavras,sem expressões,

Sem coral ,sem ilusões.

Enfim! Morro para a vida

Vivo para a morte.

Eu já não estou só na passarela.

A eternidade infinita me espera.

Num coral de querubins

A minha estória se encerra

MISTÉRIO NO PARAÍSO

 

Era linda como um anjo. Espalhava perfume e pureza por onde passava.

Seu sorriso era contagiante,sua alegria disfarçava um certo mistério em seu olhar.Não tinha amigos,embora todos do prédio a conheciam.Não recebia correspondências,exceto boletos de cobranças.Ninguém sabia por certo o que ela fazia.Saia sempre pela manhã e voltava altas horas da noite.Para onde ia...Ninguém sabia.Certa vez desapareceu por um longo tempo.Os moradores do edifício perguntavam por ela.Nem o zelador tinha informações.Havia sumido fazia já algum tempo.

Numa tarde chuvosa,trajando um sobretudo cheirando a guardado,um boné já com marcas do tempo,adentrou pelo prédio um rapaz com um certo ar misterioso.

_ Vim  buscar os boletos de cobranças da Cristal,disse ao porteiro.

O homem um tanto curioso e intrigado ao mesmo tempo perguntou ao rapaz qual o grau de parentesco que havia entre eles.O rapaz um pouco tímido,sem nenhum sorriso nos lábios apenas respondeu :_ Somos amigos de infância.Ainda mais curioso o zelador tenta continuar a conversa sem obter nenhum sucesso.

De onde vocês vieram? Por que Cristal vive tão sózinha?

Gentilmente o rapaz apenas olha para o tal curioso,pega os envelopes e sai sem nenhuma despedida. Intrigado com a história,o porteiro não tardou a espalhar o fato a todos os moradores que por ali passaram. No final do expediente,como de costume o zelador do prédio onde residia Cristal costumava tomar uma cerveja na padaria  da esquina. Qual  sua surpresa ao enxergar numa mesa bem num canto o tal garoto sentado perdido em seus pensamentos.  Ele se aproxima,puxa uma cadeira e senta com o amigo misterioso da moradora também misteriosa do Edifício Paraíso.

Você quer uma cerveja? Pergunta para puxar conversa.

Agora o rapaz parecia um pouco mais amigável.Deu um leve sorriso e respondeu que já havia tomado o seu lanche.O zelador não querendo perder a única oportunidade que lhe parecia de questionar o tal rapaz,já foi logo puxando assunto da tal amiga desaparecida.O rapaz pouco falou.Deu para notar que ele também tinha um certo carinho por aquela menina e algo muito intrigante o preocupava.Falou pouco.Parecia querer esconder seu rosto.Por trás do casaco preto,do boné desbotado,do rosto tímido,estava um ser tão delicado que ora parecia até lembrar Cristal.De onde vinham duas pessoas tão misteriosas,tão semelhantes,tão angelicais? O mistério parecia não ter fim.Por algum tempo o rapaz foi visto rondando as proximidades do edifício.Um dia sumiu também.Dias depois volta Cristal.Alegre e sorridente,parecendo um anjo que havia subido ao céu para prestar contas de suas tarefas daqui da terra.Seu amigo lhe procurou,disse o zelador num certo tom desconfiado.Cristal nada responde.Vira as costas e some pelo corredor escuro do prédio que de Paraíso só tinha o nome.O boato correu que Cristal havia voltado.O rapaz não fora mais visto.Esse fato ocorreu varias outras vezes.Quando Cristal sumia,o garoto aparecia.E o mistério ficava ainda maior.Depois de algum tempo,Cristal faz as malas,entrega sua chaves ao porteiro e diz que vai embora.Ainda continuaram a ver o seu amigo por algumas vezes pelos cantos das esquinas.Muitos boatos surgiram.Quem era aquela garota sorridente?Quem seria o rapaz sempre ausente?Depois de muitas especulações o fato foi esclarecido.

Aquela bonita menina também era o garoto da esquina.

 

Do nada ele surgiu a minha frente.Sua imagem um tanto assustadora petrificou meu coração. Não trazia nenhuma certeza do que iria realizar.Seu sorriso indefinido querendo talvez nem sorrir naquela hora.Sua sombra refletida na parede  parecia tremer de medo da sua própria imagem.Debaixo do sobretudo empoeirado e cheirando cigarro sua mão parecia não suportar o objeto que ocultava .O medo e o terror cada vez mais tomavam conta do meu corpo,da minha mente.O que ele faria ali parado na minha frente ?

Sua face transtornada parecia ter apenas uma sombra de lembrança do que já fora no passado.

A rua escura e vazia.Ninguém se arriscava a passar por ali naquela hora.

Ele continuava me olhando friamente bem dentro dos meus olhos.

Num gesto repentino tira uma mão do bolso e com uma lágrima no rosto diz ser aquela a última vez que iríamos nos ver.

Um arrepio percorre pelo meu corpo inerte,minhas mãos tremulas procuram apertar meu peito esperando  o longo fim desta historia.

É quando ele tira uma rosa do casaco deposita nos meus pés e simplesmente vai embora...

Ela abriu a porta do apartamento e disse oi. Ele com ressaca nada responde.Estava caido no sofá tentando esquecer a noite anterior.

Muito agito,droga,sexo desconexo,pensamentos perplexos...sem reflexos.

Ela vai até a cozinha.Abre a geladeira.Vazia.Como tudo em sua vida.Ele reclama que a cerveja acabou.Ela grita que está com fome.

Os dois se enlaçam no sofá e esperam o tempo passar.O telefone toca.Os dois estremecem.É para você diz ele.Não é para você diz ela.  

O telefone continua tocando e tocando e tocando...

Os dois se olham novamente e desligam a tomada do telefone.Seria ele os dois se perguntam.Como saberia o nosso telefone,não demos a ninguem.Foi engano.Não,esse tipo de pessoa nunca se engana.

O medo e o panico tomam conta dessas duas mentes conturbadas.Apavorados se abraçam e choram compulsivamente.

Ele diz que vai embora.Ela não tem para onde ir.

O melhor que temos a fazer é atender e marcarmos um encontro.Não demora muito o telefone toca novamente.Num sobresalto ela atende com a voz e as mãos tremulas.Diz alô um tanto assustada.E a voz do outro lado responde.Boa tarde.Aqui é da Telefonica.Gostaria de falar com o responsável pela linha.

Ela aperta o botão sorrindo enquanto que a voz do outro lado só escuta Tu,Tu,Tu,Tu,Tu........

Do blog do meu filho - Chico Ribas

 

"A garota do sapato azul e a marmitex nas mãos...

 

 

 

 

Geralmente as garotas daquela idade costumavam usar sapatos de salto, bico fino, sandálias, botas ou qualquer outro tipo de sapato semelhante a esses. Ela não, ela apenas calçava aquele seu velho sapatinho azul. Um sapato azul – céu.

Ela andava pelas ruas com seus cabelos longos, pretos e novos. Ela havia feito algumas economias só para fazer “ mega hair ” e agora sim ela poderia andar pelas ruas com o vento batendo em sua cara, balançando sua longa cabeleira e claro, sempre com seu sapatinho azul.

Nas mãos, uma marmitex.

Ninguém sabia muito dela, era uma garota misteriosa, calada, desconhecida para todos aqueles que moravam naquela rua, mas ela carregava consigo e dentro daquela embalagem metálica algum segredo.

Muitos homens tentavam se aproximar dela só para tentar seduzi-la e descobrir o que aquela garota escondia.

Ela não era nenhuma puta, não usava saias curtas, não saía por aí dando bola à qualquer um... pelo contrário, ela era bem fiel à algum sentimento que ainda a mantinha viva.

Fora numa madrugada fria e solitária que encontraram bem na porta daquele hotelzinho barato que ela se hospedava, a marmitex com a foto de um homem, de aproximadamente 50 anos, uma carta e cinzas.

A carta dizia:

(- Caro leitor dessa humilde carta, cansei de esperar a minha hora para me encontrar novamente com ele. Decidi antecipar tudo. Estou me jogando no centro de São Paulo. Para ser mais específica estou me jogando do viaduto do Chá. Injetei doses e mais doses de droga no meu corpo antes disso tudo. Eu sei que sou covarde mas não agüentava mais essa agonia.

Me encontre pela manhã, de parte a polícia, mostre essa carta e peça para que eles cremem meu corpo e coloque minhas cinzas dentro da marmitex, junto das cinzas que ali já estão.

Obrigado.

 

A garota do sapato azul.)

 

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Hoje saí do restaurante aqui do lado de casa. Tinha almoçado com meus pais e minha mãe pegou uma marmita pro meu irmão que ainda estava na faculdade. De repente vejo o minha mãe com um sapato azul e digo: "Olha, a garota do sapato azul e uma marmitex na mão -( me referindo à ela). Isso dá um ótimo título de texto, vou escrever." E cá está o texto. Espero que gostem."

Somente

Na mente

Some

Aquilo

Que a gente

Consome

Com fome

Conforme

A mente

Se forme.

 

 

Seguia sozinha pela avenida iluminada.Sua mente confundia as luzes das vitrines,dos carros,dos prédios,das praças.Sorria com água  nos olhos.Seus encantos eram ofuscados pela maquiagem derretida  pelas lágrimas  que encontroladas jorravam de seus lindos olhos  tristes.Tudo era ausencia nesse seu momento.Os passos ora lentos,ora apressados a levaria  para um desconhecido abismo.Tudo era confuso  em sua mente.Não sabia por certo onde tudo iria chegar.No final do tunel há uma passarela.Logo abaixo uma rua movimentada.As luzes continuam ofuscar sua visão.No pensamento só lembranças  que lhe causam uma grande desilusão.Uma vida inteira de decepção.Um passo em falso.A solução.Seu corpo continua estendido no asfalto negro envolto de sangue e lágrimas.Sua alma viaja agora pelo desconhecido mais só do que minutos atrás.Só nesse momento descobre que NÃO VALEU A PENA......

 

Chegava toda tarde no mesmo horário.Abria a porta de seu velho apartamento onde o cheiro do mofo das roupas velhas jogadas pelos poucos móveis invadiam os sombrios corredores. Tudo parecia ter sido esquecido por lá.As cortinas pesadas,sempre fechadas,impediam que raios de vida penetrassem no seu mundo solitario.Garrafas vazias e cinceiros cheios eram o único cenário de seu cotidiano.Retirava de um porta chapéu abandonado num canto da sala um sobretudo fora de moda e um chapéu bem marcado pelo tempo.Saia pelo beco escuro e logo alcançava a avenida que o levava para aquela rua glamourosa da grande metrópole.Parava numa esquina escura,como tudo em sua vida era e ficava observando o vai e vem das prostitutas que por ali faziam seus programas.Loiras,ruivas morenas,mas uma lhe parecia especial.Talvez a mais bonita de todas e a que recebia o maior numero de pretendentes.Sempre seu primeiro e o último cliente vinham em belos trajes,em belos carros e traziam - lhe belos presentes. Depois ela seguia feliz para sua kitnet e ele como um guardião secretamente a levava até a porta.Depois que ela entrava ele voltava para casa com o coração menos apertado.Seria uma paixão proibida? Sim pois ele era velho,sem nenhum atrativo físico e financeiro que fizessem com que a bela donzela notasse sua presença. E isso eram todas as noites, de todas as semanas de todos os meses de muitos anos. Ela fazendo seus programas e ele a vigiando de longe. Um dia tudo mudou. Ele chegou no mesmo horário que costumava chegar e a sua pequena não estava na esquina esperando pelo seu primeiro amante. Naquela noite, não se viu o  fino galã que a cortejava e nem muitos outros que por ela procuravam. As horas foram se passando e um burburinho entre as demais garotas foi tomando tamanho espanto. A morena fatal havia sido encontrada morta num hotel com uma facada no peito e um lindo ramalhete nas mãos. Gélido e trêmulo, ele se encaminha para o local do crime onde vários policiais estão cuidando do caso. Ninguém conhecia aquela moça nessa hora.

- Será enterrada como indigente - informou o chefe da investigação. Ninguém apareceu para fazer a identificação. Enrolada num lençol ensanguentado e colocada na ambulancia que a levantaria para algum lugar desconhecido. Ele chora convulsivamente nessa hora e pronuncia suas ultimas palavras:

_ Vai com Deus minha filha.

Nunca mais foi visto no prédio em que morava.Nunca mais apareceu na esquina escura.A faca que matou a prostituta foi encontrada dias depois enrolada num sobretudo empoeirado debaixo de um chapéu puido. 

 

Sonos

Só nós

Com muitos nós

Só nós

Somos

Nós

Sonos

Sós.

O Rock de um cantor

O rock que na guitarra ele curtia

No meio de acordes e fantasias

Era o sonho de uma erva verde e colorida

Que para sua mente era ponto de partida.

O rock que na guitarra ele curtia

Era agressão e fuga do mundo em que vivia

Esquecendo que da canção se faz poesia

Entregou-se todo nas mãos de uma erva daninha.

O rock que na guitarra ele curtia

Durante algum tempo na parada ficou

Até o dia que sua mente cansada

Com um tiro no peito seu corpo dilacerou.

O rock que na guitarra ele curtia

Era apenas uma simples companhia

Para um alguém com dor no coração

Tentando esconder uma triste frustração.

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