E EU SÓ NA PASSARELA
A meus pés corria a vida.
Carros passavam apressados.
Motos... bicicletas...transeuntes...
E eu só na passarela.
Lá embaixo outro mundo.
Pessoas aflitas,nervosas,carentes.
Velhos,moços,crianças
Sem esperanças.
E eu só na passarela.
De repente tudo para.
Olhares perdidos apontam um só destino.
O Meu!
Já não estou mais só na passarela.
Um coro de anjos entoam uma canção.
Será que é para mim?
Olho para eles.Como são belos.Felizes.
As pessosa lá embaixo se empurram
Num conflito de vida ou morte.
Será que é por mim?
Olho para elas. Como são feias...tristes...infelizes.
Fico entre a vida e a morte.
A morte me fascina.
A vida me repele.
Olho os anjos...enxergo a Deus.
Olho os humanos...enxergo a mim.
Num dado momento solto meu corpo.
Sussuros...gritos...ecos...lágrimas.
Ao cair no chão meu sangue escorre.
Estou deformada.Um silêncio impera.
Solto minha alma.
Anjos e querubins elevam – me ao céu.
Meu semblante feliz é conduzido por um coral de serafins.
Chego ao paraíso.
Lá embaixo chega o carro funeral.
Um cortejo triste me acompanha sem palavras,sem expressões,
Sem coral ,sem ilusões.
Enfim! Morro para a vida
Vivo para a morte.
Eu já não estou só na passarela.
A eternidade infinita me espera.
Num coral de querubins
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