Consumado

Arnaldo Antunes

Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte

Tô louco pra fazer
Um rock prá você
Tô punk de gritar
Seu nome sem parar...

Primeiro eu fiz um blues
Não era tão feliz
E de um samba-canção
Até baião eu fiz...

Tentei o tchá tchá tchá
Tentei um yê yê yê
Tô louco prá fazer
Um funk prá você...

E tá consumado
Tá consumado
Tá consumado
Tá consumado...

Fiz uma chanson d'amour
Fiz um love song for you
Fiz una canzone per te
Para impressionar você...

Prá todo mundo usar
Prá todo mundo ouvir
Prá quem quiser chorar
Prá quem quiser sorrir...

Na rádio e sem jabá
Na pista e sem cair
Um samba prá você
Um rock and roll to me...

E tá consumido
Tá consumido
Tá consumido
Tá consumido...

Fiz uma chanson d'amour
Fiz um love song for you
Fiz una canzone per te
Para impressionar você...

Vida

Fábio Jr.

Composição: Fábio Jr.

Pelas ruas da cidade pessoas andam num vai e vem
Não veêm o cair da tarde vão nos seus passos como reféns
De uma vida sem saída vida sem vida mal ou bem
Pelos bancos desses parques, ninguém se toca sem perceber
Que onde o sol se esconde, o horizonte tenta dizer
Que há sempre um novo dia, a cada dia em cada ser

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura
Pra encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir feliz que o amor esconde outro universo
Pelos becos, pelos bares pelos lugares que ninguém vê
Há sempre alguém querendo uma esperança, sobreviver
Cada rosto é um espelho de um desejo de ser de ter

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura
Pra encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir feliz que o amor esconde outro universo

Cada rosto é um espelho de um desejo de ser de ter
Talvez, quem sabe, por essa cidade passe um anjo
E por encanto abra suas asas sobre os homens
E dê vontade de se dar aos outros sem medida
A qualidade de poder viver vida, vida
Vida, vida

Silêncio.

Acalanto da noite

fria,que embala o sono

de uma noite mal dormida.

Silêncio...

 

 

Olho a noite.

Um coração partido

Chora só.

Desejo sonhar em teu colo

E sentir saudade

Do passado.

Ilusões...

Lua Nova

Que continua em Aquário

Superdose de magia

Com pitadas de energia invoca a ajuda dos céus

É claro que receberá de lá muita coisa.

Sufocada exibe sua imagem

Tenta vencer obstáculos

Em cada nascer do sol.

Motivo tem para seu sofrimento.

Generosa e ousada

Em seus carinhos

Não se deixa explorar por quem ama

Pois até no amor deverá ser diferente.

Não abusa de seu charme

E acredita na conquista

Mas como sempre só os mais velhos

Mostrarão maior preferência

Pela sua companhia.

E a lua continuará sempre sozinha...

 Navega

Navegante

Nas águas

Nauseantes

Ausentes de sabor,

De calor,

De amor.

Navega

Sem destino

Igual ao sonho

De um menino.

Navega

Navegante

Vá de encontro

Ao farol

Deixe que seus olhos

Vomitem

A solidão e a tristeza

Que alojam em

Seu coração.

Faça do som das águas

Que quebram

Ao encontro de sua

Embarcação

A trilha sonora

De sua vida

Sofrida,

Esquecida,

No meio do mar

Sem fim.

Navega

Navegante

Nas águas 

Nauseantes

Vá seguindo

O seu caminho

Que foi traçado

Assim.

Navega

Navega

Errante

Navegante.

Foi ao teatro.Saiu deprimido.

Passou pela praça.

Passeou pelo centro da grande metrópole.

Fumou um cigarro.

Se jogou do viaduto.

Não queria morrer,

Sómente chamar a atenção.

Deixou um recado no Orkut:

- ¨Me dê motivo

   Tô indo embora¨.

Só depois entenderam o significado

Daquela canção.

AS MENINAS

Uma se matou por amor,

a outra morreu pelo amor.

Um sonho de consumo

sem limite

para aqueles que

exilaram - se depois de causar

a morte de um inocente.

No último filme da trilogia

onde a moral da época e

a vontade de ter liberdade intelectual

assusta a juventude

o resultado são batalhas com

cenas vibrantes e muito sangue.

Youtube,blog,orkut,games,

saudades da era do atari.

Logo se dará um grito de independência

da influência negativa

numa essência espontânea.

Não haverá personagens muito definidos.

Ninguém é tão mau ou tão bonzinho.

O jogo é difícil e exige habilidade

de cada jogador.

A trilha é sempre um rock

que agrada aos aficionados por metaleiros.

Você se verá em confronto com

seu passado e com o futuro

e na certa esse último irá predominar.

O que não parecia possível

ganha força.

A sensação de impotência diante da vida

pode vir de uma atitude displicente.

Não assumirá o seu controle

com um só golpe.

E nunca se esqueça de lembrar

que um ninja

nunca morre.

De cara pro cara

De cara pintada

De boca rasgada

De rasgo no olho

De queixo caído

De calça rasgada

De corte profundo

Com fio de navalha

Do sangue pingando

Num copo de leite

Com pão e manteiga

Tomando um pingado

No bar da esquina

Cheirando faxina

Com produto barato

Usado em latrina

O cheiro se espalha

Odor e fedor

Na mesma narina

Não faz diferença

Sua velha aparência

Sem nenhuma decência

Total decadência

Na cara do cara

Sentado à mesa

De toalha vermelha

Com muita sujeira

Falando besteira

De cara amarrada

Era apenas o cara

De cara

Pro cara.

Quem canta

encanta

enquanto canta

canta.

Quem canta

enquanto

encanta

canta.

Quem encanta

enquanto canta

canta.

São  milhares  de gotas que molham nossos ideais.

Neste mundo de grito,de pavor,de rancor.

Fechando as portas do nada que nos levam para um sonho perdido.

São milhares de bocas que berram blasfêmias,

Milhares  de mãos fazendo gestos obscenos,

Onde tudo gera o mau,eu quero uma vida melhor para os meus filhos.

Eu fujo pela noite perdida,dos bandidos, dos ladrões, das prostitutas.

Corro os bares das avenidas desertas e não encontro resposta para a pergunta que ainda não consegui fazer.

Em cada esquina perdida há uma donzela, que fantasiada espera alguém  para se deitar.

Há um clima de pavor em cada rosto abatido dos traficantes, há tristeza no olhar da criança sem lar.

São milhares de gotas que molham os sonhos, mas mesmo assim eu ainda quero sonhar...

Sexta feira

Tem feira

Tem cesta

De feira

Na sexta

Na feira

De sexta

Feira.

       

            E  EU  SÓ NA PASSARELA  

 

A meus pés corria a vida.

Carros passavam apressados.

Motos... bicicletas...transeuntes...

     E eu  só na passarela.

Lá embaixo outro mundo.

Pessoas aflitas,nervosas,carentes.

Velhos,moços,crianças

                     Sem esperanças.

     E  eu só na passarela.

De repente tudo para.

Olhares perdidos apontam um só destino.

                  O Meu!

Já não estou mais só na passarela.

Um coro de anjos entoam uma canção.

Será que é para mim?

Olho para eles.Como são belos.Felizes.

As pessosa lá embaixo se empurram

Num conflito de vida ou morte.

Será que é por mim?

Olho para elas. Como são feias...tristes...infelizes.

Fico entre a vida e a morte.

A morte me fascina.

A vida me repele.

Olho os anjos...enxergo a Deus.

Olho os humanos...enxergo a mim.

Num dado momento solto meu corpo.

Sussuros...gritos...ecos...lágrimas.

Ao cair no chão meu sangue escorre.

Estou deformada.Um silêncio impera.

Solto minha alma.

Anjos e querubins elevam – me ao céu.

Meu semblante feliz é conduzido por um coral  de serafins.

Chego ao paraíso.

Lá embaixo chega o carro funeral.

Um cortejo triste me acompanha sem palavras,sem expressões,

Sem coral ,sem ilusões.

Enfim! Morro para a vida

Vivo para a morte.

Eu já não estou só na passarela.

A eternidade infinita me espera.

Num coral de querubins

A minha estória se encerra

MISTÉRIO NO PARAÍSO

 

Era linda como um anjo. Espalhava perfume e pureza por onde passava.

Seu sorriso era contagiante,sua alegria disfarçava um certo mistério em seu olhar.Não tinha amigos,embora todos do prédio a conheciam.Não recebia correspondências,exceto boletos de cobranças.Ninguém sabia por certo o que ela fazia.Saia sempre pela manhã e voltava altas horas da noite.Para onde ia...Ninguém sabia.Certa vez desapareceu por um longo tempo.Os moradores do edifício perguntavam por ela.Nem o zelador tinha informações.Havia sumido fazia já algum tempo.

Numa tarde chuvosa,trajando um sobretudo cheirando a guardado,um boné já com marcas do tempo,adentrou pelo prédio um rapaz com um certo ar misterioso.

_ Vim  buscar os boletos de cobranças da Cristal,disse ao porteiro.

O homem um tanto curioso e intrigado ao mesmo tempo perguntou ao rapaz qual o grau de parentesco que havia entre eles.O rapaz um pouco tímido,sem nenhum sorriso nos lábios apenas respondeu :_ Somos amigos de infância.Ainda mais curioso o zelador tenta continuar a conversa sem obter nenhum sucesso.

De onde vocês vieram? Por que Cristal vive tão sózinha?

Gentilmente o rapaz apenas olha para o tal curioso,pega os envelopes e sai sem nenhuma despedida. Intrigado com a história,o porteiro não tardou a espalhar o fato a todos os moradores que por ali passaram. No final do expediente,como de costume o zelador do prédio onde residia Cristal costumava tomar uma cerveja na padaria  da esquina. Qual  sua surpresa ao enxergar numa mesa bem num canto o tal garoto sentado perdido em seus pensamentos.  Ele se aproxima,puxa uma cadeira e senta com o amigo misterioso da moradora também misteriosa do Edifício Paraíso.

Você quer uma cerveja? Pergunta para puxar conversa.

Agora o rapaz parecia um pouco mais amigável.Deu um leve sorriso e respondeu que já havia tomado o seu lanche.O zelador não querendo perder a única oportunidade que lhe parecia de questionar o tal rapaz,já foi logo puxando assunto da tal amiga desaparecida.O rapaz pouco falou.Deu para notar que ele também tinha um certo carinho por aquela menina e algo muito intrigante o preocupava.Falou pouco.Parecia querer esconder seu rosto.Por trás do casaco preto,do boné desbotado,do rosto tímido,estava um ser tão delicado que ora parecia até lembrar Cristal.De onde vinham duas pessoas tão misteriosas,tão semelhantes,tão angelicais? O mistério parecia não ter fim.Por algum tempo o rapaz foi visto rondando as proximidades do edifício.Um dia sumiu também.Dias depois volta Cristal.Alegre e sorridente,parecendo um anjo que havia subido ao céu para prestar contas de suas tarefas daqui da terra.Seu amigo lhe procurou,disse o zelador num certo tom desconfiado.Cristal nada responde.Vira as costas e some pelo corredor escuro do prédio que de Paraíso só tinha o nome.O boato correu que Cristal havia voltado.O rapaz não fora mais visto.Esse fato ocorreu varias outras vezes.Quando Cristal sumia,o garoto aparecia.E o mistério ficava ainda maior.Depois de algum tempo,Cristal faz as malas,entrega sua chaves ao porteiro e diz que vai embora.Ainda continuaram a ver o seu amigo por algumas vezes pelos cantos das esquinas.Muitos boatos surgiram.Quem era aquela garota sorridente?Quem seria o rapaz sempre ausente?Depois de muitas especulações o fato foi esclarecido.

Aquela bonita menina também era o garoto da esquina.

 

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